domingo, 9 de novembro de 2008

Jumper


Hoje assisti ao “Jumper”, filme com o Hayden Christensen, sobre pessoas capazes de se teletransportar para diferentes lugares. O filme começa com a descoberta do poder, bem ao estilo “história de super-herói”, e vai evoluindo, tornando-se frenético em sua maior parte. Gostei do filme e da forma como ele abusa dessa habilidade do protagonista, mostrando-o em diferentes lugares ao redor do globo. A história também merece um certo destaque, mas poderiam ter usado o poder dele para torná-lo um altruísta, que ainda que sutilmente fizesse coisas pelos outros, que o poder dele poderia proporcionar. Ele se mostra um egoísta e aproveitador, sem objetivos, senão o de aproveitar ao máximo essa vantagem que tem.

No entanto, faltaram algumas coisas. O filme tenta jogar uma história de que a luta entre os jumpers e os paladinos existe desde a Idade Média, Roland fala que os jumpers se tornam maus depois de um tempo... mas nada disso encontra base no filme, não são apresentados elementos que nos façam entender os motivos de Roland e de sua equipe. Além do mais, qualquer vilão que se preza é movido por algum interesse, que geralmente é de ganância, poder, ou algo assim. Se não podemos nem entender os motivos dele, pois não fomos apresentados a eles, e não podemos vê-lo como “mocinho”, já que ele mata as pessoas próximas aos jumpers, então ele não se configura como um personagem crível. Também acabamos sem entender o que causa essa habilidade nas pessoas, eles poderia ter tentado explicar. Também não custaria nada mostrar o que aconteceu aos cinco anos de David, que fez a mãe saber que ele era um jumper, e que a levou a sair de casa. E por fim, ao não conhecermos o alcance do poder entre as pessoas, acabamos por questionar se os jumpers, unidos em uma espécie de organização, não seriam mais fortes.

Além disso, a participação da Millie é ridícula, chega a ser pior do que aquelas crianças que sempre estão paradas no meio do caminho quando está passando um carro em alta velocidade ou caindo uma viga ou algo assim. Ela incomoda porque o David quer levá-la a Roma, incomoda porque ele tem que mantê-la em segurança, incomoda porque nas horas mais impróprias quer explicações dele. E por fim, também não se configura como uma pessoa de bem, porque mesmo sabendo que David usa sua habilidade para roubar bancos, não tem uma cobrança moral por conta disso. É a típica “mulher de malandro”. Sem falar que a interpretação da atriz é fraquinha também...

Bom, o filme valeu a pena, mas é para se assistir sem querer fazer uma análise minuciosa dele, o que para mim é um pouco difícil.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Arquivo-X 2 - Finalmente!



Todos os que me conhecem bem, sabem que eu amo Arquivo-X. Posso dizer que cresci, na crença e no gosto por coisas que não se podem explicar (e daí o meu interesse por fenômenos e outras coisas correlatas), por causa da minha fé religiosa no seriado, precursor de tantos seriados modernos com temáticas, pode-se dizer, “diferentes”. Infelizmente Arquivo-X acabou precocemente, deixando um vazio imenso na história, nos destinos dos personagens e na vontade que todos tinham de que Mulder vencesse no final, descobrisse tudo o que queria e expusesse ao mundo a verdade sobre a tal invasão (temas do seriado). Bem, o final não nos deu isso, mas esse vazio ficou: o que aconteceu depois?

Bom, depois de muito tempo, chega o filme para nos dar um pequeno alento. Nele, vemos o pós-seriado, o que aconteceu depois, pelo menos em partes. Scully continuou sua carreira como médica, se esforçando para trabalhar para salvar vidas e dar esperanças, e Mulder... bem, Mulder continou do mesmo jeito, até pior do que estava quando o deixamos no final da nona temporada, sem trabalho e correndo risco de ser morto. O trabalho dava a ele um rumo, e o filme mostra ele sem rumo algum, sem nada além da obsessão cega que sempre o guiou, traduzida pelo interesse nas notícias estranhas e pela pesquisa dos fenômenos. Bem, pelo menos, além da obsessão, ele ainda tem a Scully.

Mulder é convidado pelo FBI para ajudar na busca por uma agente desaparecida, especificamente para utilizar o seu know-how em assuntos inexplicáveis para investigar a colaboração de um padre pedófilo, que passou a ser vidente, de uma hora para outra. E esse é o ponto de partida da aventura desse filme.

Já antes de analisar o todo, já vou “destilar o meu veneno” em algumas partes: o filme deixa bem claro que Arquivo-X estava para Mulder assim como Mulder estava para o FBI. Tirar dele os recursos que ele tinha quando lá estava tirou boa parte da graça do filme (do ponto de vista da investigação), uma vez que ele só pode usar os recursos da agência por tabela, não podendo tomar a iniciativa, e nem usar de sua perspicácia para “juntar os pedaços” da investigação por si só. Fica o tempo todo dependendo das muletas encontradas pelo filme, para novamente ligar os ex-agentes ao FBI. Com isso, XZibit e a Amanda Peet ficam claramente em segundo plano, o primeiro muito mais ainda, sendo tão-somente um enchedor de saco o filme inteiro. Ah, Mulder e Scully sem armas também fica bem sem-graça, Scully tem até de usar um pedaço de lenha para atacar um cara... deprimente, hehehe. Tem outra: sobre Mulder estar “desaparecido” aos olhos do FBI... eles são um bureau de investigação, não? Não saberiam facilmente que Mulder continua junto com a Scully, já que a Scully foi tão fácil de achar? Acho que queria que Mulder tivesse se isolado do mundo todo, mas para fazer a ponte com a Scully, tinham que mantê-lo com ela.

Mas voltemos ao filme. Felizmente, todos os aspectos do seriado que tanto me cativaram estão lá: a investigação, a eterna dualidade do acreditar de Mulder com o querer acreditar de Scully, as intermináveis conversas entre eles, cada um defendendo o seu lado, a Scully sempre firme e ao mesmo tempo sentimental, o Mulder sempre obstinado e “moleque”, querendo dar as caras e enfrentar o perigo. Até o Skinner apareceu, foi uma grata surpresa, não fosse o fato dele ter sido quase um figurante no filme, com pouca utilidade (a não ser dar um pouco de calor humano a Mulder, hahaha!).

O caso traz Mulder de volta ao que sabe fazer melhor, e logicamente ele “se encontra” novamente fazendo isso, querendo obstinadamente prosseguir até o final, até salvar a garota. Já Scully continua a mesma “careta” de sempre, fugindo do confronto com o inexplicável e duvidando sempre do aspecto inexplicável das coisas. Ela sempre foi pé-no-chão, e isso não iria mudar agora: toda a corrente da investigação que estava utilizando das informações fornecidas pelo padre-vidente era desacreditada por ela, e essa idéia se arrasta bem até o final, deixando, como sempre, a dúvida sobre as visões serem de todo verdade, ou não. Felizmente, apesar das correntes divergentes, eles se entendem onde interessa: Mulder e Scully continuam juntos, como companheiros, até onde tudo indica apaixonados um pelo outro. Até a questão do filho dado para adoção, o Willian, é tocada suavemente no filme, quando ambos conversam sobre a dedicação de Scully a um menino com uma doença rara, com o qual Scully se identifica. Em nome da vida do menino, Scully exercita novamente aquilo que gostamos tanto de ver no seriado, que é a coragem dela em enfrentar seus superiores, ou todos os prognósticos negativos, movida tanto pela sua intuição, quanto pela fé. Ainda que Scully não pareça lá muito religiosa no filme, pois apesar de ainda usar o famoso pingente de crucifixo, chega a duvidar de Deus em um momento do filme. No entanto, como também era de praxe acontecer no seriado, alguns eventos especiais, geralmente aqueles que acostumamos a associar com algum tipo de “mensagem divina”, a norteiam nos momentos de dúvida durante o desenrolar do filme.

Bem, nem preciso dizer que o inexplicável, novamente, se mostra e se esconde no final, com a morte do padre-pedófilo-vidente. O caso do seqüestro das mulheres, em si, não tem nada de paranormal – o que até se justifica, pois não iriam deslocar um contingente tão grande de agentes para investigar casos do tipo daqueles que Mulder trabalhava. Mas pessoalmente senti que faltou um pouco o elemento alienígena no filme, algo que estávamos bastante acostumados. Me arrisco a dizer que o filme não foi exatamente feito para apresentar o tal caso do seqüestro das mulheres, mas usar o caso como uma desculpa barata para colocar Mulder e Scully novamente em confronto com uma investigação com aspectos especiais, e, é claro, confrontá-los com o público, novamente. Eu, particularmente, adorei. Foi emocionante, de fato, revê-los e imaginar o que viria depois, como a história continuaria, no que aquele “mundo” criado pelo seriado havia se tornado, depois de todo esse tempo. Aquele mundo, na verdade, não volta mais – muita gente já passou e morreu no seriado, de forma que não dá para voltar a ser tudo como antes. Mas é muito bom saber que a vida continua, no mundo de Arquivo-X.

P.S.: Ah, apenas para completar o post sobre o cinema, no fim eu não me rendi a eles, ainda que não tenha podido ir a Campinas ou Piracicaba para assistir ao filme. E considerando que levou um mês para eles começarem a passar, fico feliz de ter tido outras opções para assistí-lo! :D

quarta-feira, 9 de julho de 2008



Dando continuidade aos meus comentários de filmes, assisti ontem o recente Seed - Assassino em Série. O filme tem uma premissa curiosa, onde segundo as leis da Califórnia do fim dos anos 70, um preso que sobrevivesse a três tentativas de eletrocução na cadeira elétrica tem direito à liberdade. E ao mesmo tempo, conta a história de Seed, um assassino serial que teria sido o pior da história dos Estados Unidos (na descrição do filme, é dito que a história é aparentemente verdadeira, mas não dá maiores detalhes). Bem, é ele mesmo quem acaba sofrendo duas eletrocuções, e sobrevivendo. Mas isso não se dá por uma resistência sobre-humana dele, ou algum outro motivo extraordinário típico de Hollywood. Simplemente a cadeira era ruim demais. Na tentativa de garantir que o serial killer morresse, por pressão do pessoal da penitenciária (caso contrário, após a terceira ele seria considerado um homem livre), ele é declarado morto, mesmo ainda estando vivo, e enterrado naquele mesmo estado. Aí começam as incongruências: se eles queriam que Seed morresse, bastaria terem sufocado ele, ou dado um tiro nele, antes de enterrá-lo. Sabendo o perigo que ele representava, chega a ser ingênuo terem dispensado ele daquele jeito. É claro, Seed se recompõe, se livra da situação (enterrado vivo) e volta a matar indiscriminadamente, e a esmo, mas também buscando vingança. Outra coisa que não faz sentido é que, ao assistirmos o filme, ficamos esperando encontrar algum significado na matança que ele realiza, ou pelo menos o porquê dele, no início do filme, assistir a vídeos de crueldade contra animais, e deixar suas vítimas morrer abandonadas, sem comida ou água, e gravar tudo isso, inclusive a decomposição dos corpos, em fitas. Achei que iriam explicar até o final do filme, talvez querendo dizer que Seed se vinga da humanidade pelos maus-tratos contra os animais, ou ainda - fazendo um paralelo com um dos vídeos iniciais, que mostra a metamorfose de um inseto - que ele mataria para fazer uma "metamorfose" nas pessoas, mas nada. O filme ainda tenta passar uma idéia de que a fisionomia dele, que quando garoto foi o único sobrevivente de um incêndio no ônibus escolar em que estava, seria algo medonho. Faria sentido mostrar o rosto dele no final do filme, mas isso também não é feito. E ele sequer fala uma só palavra no filme inteiro, mas fica subentendido que ele fala. Ou seja, o filme é uma infeliz sucessão de situações que poderiam ser melhor exploradas, até para dar mais coesão ao filme, e conseqüentemente, um final melhor, mas isso não acontece. Acaba da mesma forma que se desenvolve, sem um clímax de verdade, sem solução. Apenas um monte de mortes, sangue e vermes. Decepcionante.

segunda-feira, 30 de junho de 2008



Assisti no domingo a versão atual do filme "O Enigma de Andrômeda" (The Andromeda Strain, 1971), que passou como mini-série recentemente nos EUA. A história seria a seguinte: um satélite americano cai num lugar no Texas, e levado a uma pequena cidade, libera um agente biológico letal que mata toda a população, exceto um senhor e um bebê. Uma equipe especial é convocada para tentar encontrar uma forma de impedir o agente de se espalhar, usando tecnologia de ponta, enquanto novas facetas do tal organismo vão se revelando aos poucos, ao mesmo tempo em que se descobre que existem muitas informações relevantes para a pesquisa que estão sendo negadas pelos militares.
O filme é um exercício de aprendizado, onde vamos aos poucos conhecendo mais detalhes sobre o suposto agente biológico e suas propriedades. Para variar, em filmes desse tipo, as conclusões são rápidas e as linhas de raciocínio também, o que exigem do telespectador bastante atenção para conseguir acompanhar tudo. Ao longo do filme, aprendemos que o tal agente biológico se propaga com rapidez, que parece ter até mesmo inteligência própria (tendo em vista que, em alguns casos, suas vítimas não morrem de imediato, mas são mantidas vivas de forma a aumentar a área de cobertura do vírus), que parece ter vindo de uma espécie de buraco negro, possivelmente do futuro, e que não tem características orgânicas conhecidas, sendo, portanto, provavelmente alienígena.
O filme faz o estilo "Arquivo X" de ser, pois existe muito mistério, informações negadas espalhadas por todas as divisões de poder dentro do governo americano, assassinatos sem o menor pudor em nome da preservação das informações sigilosas e aquela sensação de que, para se entender o todo, é preciso olhar bem as partes. O que nos leva a algumas conclusões que o filme não explora, sendo que a principal delas, parece ser a seguinte: quando é descoberto que as cápsulas que trouxeram o agente biológico possuem informações codificadas em linguagem binária, os pesquisadores chegam no nome das bactérias capazes de eliminá-lo, e também a um número, que no fim vemos que está sendo usado como catalogador de uma lista de outros prováveis agentes, armazenada na Estação Espacial Internacional. Pois bem, se isso pode ter vindo do futuro, do NOSSO futuro, acho que não seria errado imaginar que talvez o governo tenha um tipo de acordo com o povo do futuro, onde o resultado de pesquisas muito além da nossa época estão sendo usados para criar um estoque de armas biológicas, certamente para garantir aos EUA vantagem em futuras guerras.
Uma coisa que achei meio fora da realidade foi a idéia do repórter e até mesmo do chefe da equipe em usar a chantagem de apresentar informações confidenciais à mídia para conseguir um pouco mais de colaboração do governo. Tudo bem que para negociar com gente como eles, é necessário "descer ao nível deles", mas acho pouco provável que pessoas com extremo poder se deixariam influenciar tão facilmente. Mostrar o lado familiar de alguns deles, ou mesmo o envolvimento romântico de dois dos pesquisadores, serviu apenas para "encher lingüiça", tendo em vista que o tempo da mini-série parece até pouco, em vista de tudo que é desenvolvido.
Bom, o filme faz bastante o meu gênero de interesse, apesar do fato de que estou um pouco enferrujado nesses temas, desde o fim de "Arquivo X". Mas é muito bom mesmo, vale a pena. Infelizmente não conheço o original, e nem o livro, mas gostaria de saber se o antigo complementa alguns pontos da história deste, ou se o novo é um tipo de "livre adaptação" do antigo. Ainda assim, gostei bastante.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tempo nublado na Arco-Íris Cinemas

Apenas uma nota, para os amigos e até para mim, quando eu cismar que quero ir no cinema daqui outra vez: o mega-sucesso Indiana Jones 4 já saiu de cartaz de Rio Claro, menos de 1 mês depois do lançamento! O mesmo vale para o Nárnia: Príncipe Caspian. E quem quiser ir ao cinema essa semana, ver um bom filme, vai assistir a... Didi? Hulk dublado (eca)? A futilidade do "Sex and the City"? Bom, ainda tem o "Agente 86", mas os outros eu não conheço.
Ainda para piorar descobri, em consulta ao site deles, que ir ao cinema em Rio Claro é mais caro que ir na rede deles na maioria das outras cidades. O preço nos finais de semana está R$ 14,00 (quantos filmes será que eu alugo com esse dinheiro?). Só Limeira/SP, Chapecó/SC, São José/SC e Fortaleza/CE tem o mesmo preço. Cidades até maiores que a nossa tem preços melhores, pode? Veja os exemplos, retirados do próprio site deles: Presidente Prudente - R$ 8,00; Assis, Joinville, Barretos, Cachoeirinha, Criciúma, Itajaí, Joinville, Lajeado, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre - R$ 10,00; Fortaleza, Balneário Camboriú, Bento Gonçalves, Cascavel, Florianópolis, Itapema, Santa Cruz do Sul - R$ 12,00; até Brasília é mais barato - R$ 13,00.
Uma vez que fui ver o Homem Aranha, já quase um mês depois do filme lançado, ficou uma baderna de meninas atrás de mim e da minha esposa (na época, namorada), que ficaram jogando pipoca e mexendo no cabelo da gente, do nada, sem motivo algum. Desanimei bastante depois disso, principalmente por perceber o quanto falta de respeito a essa gente. Quem pagou e quer ver o filme merece ser bem tratado, nem o lanterninha resolveu coisa alguma aquele dia. Ainda gosto de cinema, mas infelizmente o programa está se tornando cada vez mais raro na minha vida. Vamos ver no Arquivo X 2, se me animo de novo...

Meu Monstro de Estimação (The Water Horse)



Seguindo meu objetivo de deixar minhas impressões sobre os filmes que assisto, vou escrever um pouco sobre esse filme, "Meu Monstro de Estimação". Na Inglaterra do período da Segunda Guerra, um garoto chamado Angus encontra às margens do Lago Ness (famoso em todo o mundo pela história do Monstro do Lago Ness) um ovo de "Water Horse" (Cavalo d'Água), uma criatura lendária que teria poderes mágicos, e cria-se aí uma grande amizade entre os dois.
Bem, não preciso nem falar que o filme é feito provavelmente para crianças. A caracterização do monstro, em especial em sua fase como bebê-monstro, tem aquele ar de bichinho amoroso e cheio de expressões que lembram um animal de estimação. Por sinal, foram muito bem-feitos os gráficos (computadorizados) do filme. Mas ficam em segundo plano, em vista das belas imagens de paisagens que são mostradas, na volta do lago. Como muitos filmes, há muito tempo, entra o componente da guerra: o pai de Angus foi à guerra, e a mãe esconde dele que o pai já falecera em combate, deixando o menino alimentar essa esperança do pai retornar. O garoto vive atormentado e triste, tanto pelo pai quanto pelo fascínio e ao mesmo tempo medo que tem das águas do lago. E o monstro, que ele carinhosamente chama de Crusoé, vem preencher essa lacuna.
Crusoé cresce rapidamente, conforme se alimenta, de forma que em poucos dias vemos a evolução dele. As aventuras da parceria Angus/Crusoé se limitam a escondê-lo da mãe, fugir do cachorro e escapar da investida dos militares contra o monstro. Nada realmente perturbador, na verdade. Quem não deve ter gostado muito do filme foi o exército, retratado, pelo menos em relação à companhia que se instalou na casa dos MacMorrow, como inexperientes e assustados. A aparição rápida do monstro soa a eles como um ataque dos alemães, fazendo com que descarreguem seu arsenal no monstro, sem sequer conseguir machucá-lo. Além disso, em uma cena em particular, onde o capitão quer mostrar à família deles o poderio do exército, fica evidente a falta de sentido em se fazer algo daquele tipo. Eles parecem estar brincando de guerra, apesar de que provavelmente esse tipo de "exercício militar" deve ser mesmo realizado em alguns países. Perda de tempo, e que não acrescenta quase nada ao filme.
Não fica claro se a criatura é mágica, e a cena de deixa isso mais ou menos em dúvida também não oferece muitas pistas para que se deduza algo. Aparentemente, o monstro tem um "desvio de personalidade" depois de ser atacado, por acidente, na demonstração do poder de fogo do exército. Imaginei que talvez eles pudessem tentar desenvolver uma linha de raciocínio diferente, como por exemplo alegando que o ser poderia ser bom ou mal, dependendo de como era tratado, mas ficou mais como algo do tipo: "sou bonzinho porque sou bem tratado, ao mexerem comigo, perdi a confiança nos humanos, com exceção do meu amigo Angus".
Ah, a cena dele saltando para quebrar a rede me fez lembrar do "Free Willy". :) Por sinal, que rede fraquinha! O exército tinha planos de pegar submarinos e/ou navios daquele jeito? Só pode ser brincadeira...
Para finalizar, esse é outro filme para crianças onde a temática da morte é bastante desenvolvida. Foi-se o tempo dos filmes-pipoca infantis onde ninguém se machucava, ou morria. A começar pelo primeiro "Crônicas de Nárnia", onde uma das crianças quase morre, sem falar no leão, passando por filmes como "Labirinto do Fauno", ou o mega-triste "Ponte para Terabithia", cada vez mais o cinema retrata a morte como tema infantil (?). Chego a duvidar que a intenção seja boa, afinal de contas, casos como o de "Terabithia" acabam praticamente estragando o filme. Em "Water Horse" isso não acontece, ninguém do filme morre, mas convenhamos que é triste ver o menino enganado sobre o destino do pai, e alimentando falsamente a esperança de que ele um dia volte. Mostra uma negligência muito grande da mãe, tanto ao não tentar informá-lo sobre o destino de seu pai, quanto em ajudar o menino a ser um pouco menos triste. É um bom filme, pelo menos para o público a que se destina. Para fim, foi razoável.

domingo, 1 de junho de 2008

Pushing Daisies - Uma feliz descoberta


Recebi a indicação de meu amigo Escher sobre esse novo seriado (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pushing_Daisies), aliás com ótimas opiniões a respeito dele. Nessa última semana pude conferir todos os 9 episódios da primeira temporada, e posso garantir que o seriado é uma jóia pura, e me empolgou em muito pouco tempo, como muito poucos já conseguiram (Arquivo X e Prison Break, por exemplo, mas por motivos diferentes).
Pushing Daisies conta a história de Ned (na foto, sentado ao lado de seu cachorro Digby), que tem uma peculiaridade: ele traz os mortos de volta à vida, tocando neles. No entanto, essa volta só pode durar um minuto, ou então alguém que está próximo morre no lugar. E ao reviver a pessoa, Ned não pode tocá-la nunca mais, ou então a pessoa morre outra vez, dessa vez para sempre. Ele é o proprietário do "Pie Hole", um estabelecimento onde ele faz tortas das mais variadas junto com sua assistente Olive, usando sua peculiaridade para trazer de volta à vida morangos, pêssegos e outros ingredientes, que usa para fazer as tortas. Um dia, Emerson Cod, investigador particular, descobre ocasionalmente o dom de Ned, e propõe um acordo: em troca de uma participação financeira, usa o dom de Ned para interrogar vítimas de homicídio, a fim de descobrir seus algozes e ficar com o dinheiro das recompensas. E num desses casos, Ned encontra morta Chuck, sua paixão de infância, e ao revivê-la, decide não deixá-la morrer novamente.
A série tem a inspiração de sua fotografia (e acredito até que em alguns de seus temas) em filmes do Tim Burton (criador de jóias como "Edward Mãos de Tesoura") e também do "Fabuloso Destino de Amélie Poulain", apesar de eu não ter assistido a esse último. É possível perceber a relação por vermos como o mundo de Pushing Daisies é repleto de cor, de figuras fortes, quase com um gibi. Também vale a comparação pelos temas nos quais a série está focada. Ela está longe de ser uma série investigativa. Ned e seus amigos têm diversas conversas sobre moralidade, paixões, reflexões psicológicas sobre seus atos... ou seja, é quase uma análise intelectual dos personagens e das situações, sempre com boas mensagens e idéias, sempre querendo passar um "algo mais" que às vezes é até difícil de definir em palavras.
Ned nutre um amor incondicional por Chuck, mas ambos sofrem com o dilema de que nunca poderão se tocar, ou Chuck estará fadada à morte eterna novamente. Olive ama platonicamente seu patrão, mas não se posiciona como uma inimiga mortal de Chuck. Elas cooperam e discutem essa situação normalmente (como pessoas civilizadas fariam), e disputam, cordialmente, o Ned. Emerson é ganancioso e pouco aberto às conversas sobre relacionamentos e moral, que Ned sempre insiste em querer ter com ele, mas mesmo assim amolece às vezes, e sempre tem bons conselhos para dar. As tias de Chuck, com quem ela vivia antes de morrer, são a típica mistura do bom e mau humor, da gentileza e da aspereza. Mas mesmo assim, sofrem muito com a morte de Chuck, e ignoram que a sobrinha continua viva. Nessa mistura de situações, está Ned.
O típico bom-moço vem de uma infância turbulenta, quando descobre seu dom devolvendo a vida a Digby, seu cachorro, e o usa depois em sua mãe. Mas ao fazer isso, mata acidentalmente o pai de Chuck. À noite, no mesmo dia, ao receber um beijo de boa noite de sua mãe, sela o destino dela permanentemente, e é quando descobre que não pode tocar os revividos uma segunda vez. Acaba internado em uma escola de meninos e abandonado pelo pai. Ned é honesto, simpático e gentil - alguém em quem se espelhar - , e vemos na figura dele uma pessoa em conflito, pois ele sofre com a sua situação com Chuck. Mesmo assim, tem momentos de pura mágina no relacionamento entre eles, quando usam de artifícios para se sentirem abraçados, beijados e acariciados. O amor platônico entre os dois, ouso dizer, é mais angustiante que "Romeu e Julieta", por exemplo, já que o obstáculo entre os dois é justamente a característica de um deles. E o relacionamento deles tem muito pouco de "desejo", é muito mais "carinho", e a situação deles permite que esse aspecto seja muito bem explorado, tornando mais apaixonante, por parte do público, acompanhar esse amor.
A série é bastante "limpinha" também, tem muito pouco espaço para inimizades, raiva, vingança. Mesmo quando isso aparece, tem aquele ar de infantilidade, quase de lição de moral que se tira de uma história para crianças, que já observei em "Peixe Grande" (outro filme de Tim Burton). Os inimigos são quase caricatos, como a dona da loja de doces, por exemplo.
Bom, em resumo (se é que isso pode ser chamado de um resumo), eu adorei. Ao ver "Peixe Grande", não muito tempo atrás, fiquei com aquela sensação de quero mais, pois queria que aquele clima de fantasia continuasse, que não parasse com o fim do filme. Até agora, posso dizer que me sinto confortado. Que venham as próximas temporadas!

Uma breve introdução

Saudações a todos os navegantes desse oceano que é a internet!
Estou recomeçando o meu blog, algo que já tentei fazer antes, mas me tomou muito tempo configurando e acabei desistindo. Insisto e retorno, porque acho que muitas coisas podem e devem ser ditas, como um registro de coisas que me interessam, e que podem ser de interesse dos amigos também.
Fiquem à vontade para comentar e dar idéias, com respeito e criatividade, é claro. O que quero é somar, confraternizar com pessoas que nutram pensamentos parecidos, ou que queiram elevar as suas vidas refletindo sobre tudo o que nos rodeia, junto com os outros. Seja bem-vindo!