quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Arquivo-X 2 - Finalmente!
Todos os que me conhecem bem, sabem que eu amo Arquivo-X. Posso dizer que cresci, na crença e no gosto por coisas que não se podem explicar (e daí o meu interesse por fenômenos e outras coisas correlatas), por causa da minha fé religiosa no seriado, precursor de tantos seriados modernos com temáticas, pode-se dizer, “diferentes”. Infelizmente Arquivo-X acabou precocemente, deixando um vazio imenso na história, nos destinos dos personagens e na vontade que todos tinham de que Mulder vencesse no final, descobrisse tudo o que queria e expusesse ao mundo a verdade sobre a tal invasão (temas do seriado). Bem, o final não nos deu isso, mas esse vazio ficou: o que aconteceu depois?
Bom, depois de muito tempo, chega o filme para nos dar um pequeno alento. Nele, vemos o pós-seriado, o que aconteceu depois, pelo menos em partes. Scully continuou sua carreira como médica, se esforçando para trabalhar para salvar vidas e dar esperanças, e Mulder... bem, Mulder continou do mesmo jeito, até pior do que estava quando o deixamos no final da nona temporada, sem trabalho e correndo risco de ser morto. O trabalho dava a ele um rumo, e o filme mostra ele sem rumo algum, sem nada além da obsessão cega que sempre o guiou, traduzida pelo interesse nas notícias estranhas e pela pesquisa dos fenômenos. Bem, pelo menos, além da obsessão, ele ainda tem a Scully.
Mulder é convidado pelo FBI para ajudar na busca por uma agente desaparecida, especificamente para utilizar o seu know-how em assuntos inexplicáveis para investigar a colaboração de um padre pedófilo, que passou a ser vidente, de uma hora para outra. E esse é o ponto de partida da aventura desse filme.
Já antes de analisar o todo, já vou “destilar o meu veneno” em algumas partes: o filme deixa bem claro que Arquivo-X estava para Mulder assim como Mulder estava para o FBI. Tirar dele os recursos que ele tinha quando lá estava tirou boa parte da graça do filme (do ponto de vista da investigação), uma vez que ele só pode usar os recursos da agência por tabela, não podendo tomar a iniciativa, e nem usar de sua perspicácia para “juntar os pedaços” da investigação por si só. Fica o tempo todo dependendo das muletas encontradas pelo filme, para novamente ligar os ex-agentes ao FBI. Com isso, XZibit e a Amanda Peet ficam claramente em segundo plano, o primeiro muito mais ainda, sendo tão-somente um enchedor de saco o filme inteiro. Ah, Mulder e Scully sem armas também fica bem sem-graça, Scully tem até de usar um pedaço de lenha para atacar um cara... deprimente, hehehe. Tem outra: sobre Mulder estar “desaparecido” aos olhos do FBI... eles são um bureau de investigação, não? Não saberiam facilmente que Mulder continua junto com a Scully, já que a Scully foi tão fácil de achar? Acho que queria que Mulder tivesse se isolado do mundo todo, mas para fazer a ponte com a Scully, tinham que mantê-lo com ela.
Mas voltemos ao filme. Felizmente, todos os aspectos do seriado que tanto me cativaram estão lá: a investigação, a eterna dualidade do acreditar de Mulder com o querer acreditar de Scully, as intermináveis conversas entre eles, cada um defendendo o seu lado, a Scully sempre firme e ao mesmo tempo sentimental, o Mulder sempre obstinado e “moleque”, querendo dar as caras e enfrentar o perigo. Até o Skinner apareceu, foi uma grata surpresa, não fosse o fato dele ter sido quase um figurante no filme, com pouca utilidade (a não ser dar um pouco de calor humano a Mulder, hahaha!).
O caso traz Mulder de volta ao que sabe fazer melhor, e logicamente ele “se encontra” novamente fazendo isso, querendo obstinadamente prosseguir até o final, até salvar a garota. Já Scully continua a mesma “careta” de sempre, fugindo do confronto com o inexplicável e duvidando sempre do aspecto inexplicável das coisas. Ela sempre foi pé-no-chão, e isso não iria mudar agora: toda a corrente da investigação que estava utilizando das informações fornecidas pelo padre-vidente era desacreditada por ela, e essa idéia se arrasta bem até o final, deixando, como sempre, a dúvida sobre as visões serem de todo verdade, ou não. Felizmente, apesar das correntes divergentes, eles se entendem onde interessa: Mulder e Scully continuam juntos, como companheiros, até onde tudo indica apaixonados um pelo outro. Até a questão do filho dado para adoção, o Willian, é tocada suavemente no filme, quando ambos conversam sobre a dedicação de Scully a um menino com uma doença rara, com o qual Scully se identifica. Em nome da vida do menino, Scully exercita novamente aquilo que gostamos tanto de ver no seriado, que é a coragem dela em enfrentar seus superiores, ou todos os prognósticos negativos, movida tanto pela sua intuição, quanto pela fé. Ainda que Scully não pareça lá muito religiosa no filme, pois apesar de ainda usar o famoso pingente de crucifixo, chega a duvidar de Deus em um momento do filme. No entanto, como também era de praxe acontecer no seriado, alguns eventos especiais, geralmente aqueles que acostumamos a associar com algum tipo de “mensagem divina”, a norteiam nos momentos de dúvida durante o desenrolar do filme.
Bem, nem preciso dizer que o inexplicável, novamente, se mostra e se esconde no final, com a morte do padre-pedófilo-vidente. O caso do seqüestro das mulheres, em si, não tem nada de paranormal – o que até se justifica, pois não iriam deslocar um contingente tão grande de agentes para investigar casos do tipo daqueles que Mulder trabalhava. Mas pessoalmente senti que faltou um pouco o elemento alienígena no filme, algo que estávamos bastante acostumados. Me arrisco a dizer que o filme não foi exatamente feito para apresentar o tal caso do seqüestro das mulheres, mas usar o caso como uma desculpa barata para colocar Mulder e Scully novamente em confronto com uma investigação com aspectos especiais, e, é claro, confrontá-los com o público, novamente. Eu, particularmente, adorei. Foi emocionante, de fato, revê-los e imaginar o que viria depois, como a história continuaria, no que aquele “mundo” criado pelo seriado havia se tornado, depois de todo esse tempo. Aquele mundo, na verdade, não volta mais – muita gente já passou e morreu no seriado, de forma que não dá para voltar a ser tudo como antes. Mas é muito bom saber que a vida continua, no mundo de Arquivo-X.
P.S.: Ah, apenas para completar o post sobre o cinema, no fim eu não me rendi a eles, ainda que não tenha podido ir a Campinas ou Piracicaba para assistir ao filme. E considerando que levou um mês para eles começarem a passar, fico feliz de ter tido outras opções para assistí-lo! :D
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