Recebi a indicação de meu amigo Escher sobre esse novo seriado (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pushing_Daisies), aliás com ótimas opiniões a respeito dele. Nessa última semana pude conferir todos os 9 episódios da primeira temporada, e posso garantir que o seriado é uma jóia pura, e me empolgou em muito pouco tempo, como muito poucos já conseguiram (Arquivo X e Prison Break, por exemplo, mas por motivos diferentes).
Pushing Daisies conta a história de Ned (na foto, sentado ao lado de seu cachorro Digby), que tem uma peculiaridade: ele traz os mortos de volta à vida, tocando neles. No entanto, essa volta só pode durar um minuto, ou então alguém que está próximo morre no lugar. E ao reviver a pessoa, Ned não pode tocá-la nunca mais, ou então a pessoa morre outra vez, dessa vez para sempre. Ele é o proprietário do "Pie Hole", um estabelecimento onde ele faz tortas das mais variadas junto com sua assistente Olive, usando sua peculiaridade para trazer de volta à vida morangos, pêssegos e outros ingredientes, que usa para fazer as tortas. Um dia, Emerson Cod, investigador particular, descobre ocasionalmente o dom de Ned, e propõe um acordo: em troca de uma participação financeira, usa o dom de Ned para interrogar vítimas de homicídio, a fim de descobrir seus algozes e ficar com o dinheiro das recompensas. E num desses casos, Ned encontra morta Chuck, sua paixão de infância, e ao revivê-la, decide não deixá-la morrer novamente.
A série tem a inspiração de sua fotografia (e acredito até que em alguns de seus temas) em filmes do Tim Burton (criador de jóias como "Edward Mãos de Tesoura") e também do "Fabuloso Destino de Amélie Poulain", apesar de eu não ter assistido a esse último. É possível perceber a relação por vermos como o mundo de Pushing Daisies é repleto de cor, de figuras fortes, quase com um gibi. Também vale a comparação pelos temas nos quais a série está focada. Ela está longe de ser uma série investigativa. Ned e seus amigos têm diversas conversas sobre moralidade, paixões, reflexões psicológicas sobre seus atos... ou seja, é quase uma análise intelectual dos personagens e das situações, sempre com boas mensagens e idéias, sempre querendo passar um "algo mais" que às vezes é até difícil de definir em palavras.
Ned nutre um amor incondicional por Chuck, mas ambos sofrem com o dilema de que nunca poderão se tocar, ou Chuck estará fadada à morte eterna novamente. Olive ama platonicamente seu patrão, mas não se posiciona como uma inimiga mortal de Chuck. Elas cooperam e discutem essa situação normalmente (como pessoas civilizadas fariam), e disputam, cordialmente, o Ned. Emerson é ganancioso e pouco aberto às conversas sobre relacionamentos e moral, que Ned sempre insiste em querer ter com ele, mas mesmo assim amolece às vezes, e sempre tem bons conselhos para dar. As tias de Chuck, com quem ela vivia antes de morrer, são a típica mistura do bom e mau humor, da gentileza e da aspereza. Mas mesmo assim, sofrem muito com a morte de Chuck, e ignoram que a sobrinha continua viva. Nessa mistura de situações, está Ned.
O típico bom-moço vem de uma infância turbulenta, quando descobre seu dom devolvendo a vida a Digby, seu cachorro, e o usa depois em sua mãe. Mas ao fazer isso, mata acidentalmente o pai de Chuck. À noite, no mesmo dia, ao receber um beijo de boa noite de sua mãe, sela o destino dela permanentemente, e é quando descobre que não pode tocar os revividos uma segunda vez. Acaba internado em uma escola de meninos e abandonado pelo pai. Ned é honesto, simpático e gentil - alguém em quem se espelhar - , e vemos na figura dele uma pessoa em conflito, pois ele sofre com a sua situação com Chuck. Mesmo assim, tem momentos de pura mágina no relacionamento entre eles, quando usam de artifícios para se sentirem abraçados, beijados e acariciados. O amor platônico entre os dois, ouso dizer, é mais angustiante que "Romeu e Julieta", por exemplo, já que o obstáculo entre os dois é justamente a característica de um deles. E o relacionamento deles tem muito pouco de "desejo", é muito mais "carinho", e a situação deles permite que esse aspecto seja muito bem explorado, tornando mais apaixonante, por parte do público, acompanhar esse amor.
A série é bastante "limpinha" também, tem muito pouco espaço para inimizades, raiva, vingança. Mesmo quando isso aparece, tem aquele ar de infantilidade, quase de lição de moral que se tira de uma história para crianças, que já observei em "Peixe Grande" (outro filme de Tim Burton). Os inimigos são quase caricatos, como a dona da loja de doces, por exemplo.
Bom, em resumo (se é que isso pode ser chamado de um resumo), eu adorei. Ao ver "Peixe Grande", não muito tempo atrás, fiquei com aquela sensação de quero mais, pois queria que aquele clima de fantasia continuasse, que não parasse com o fim do filme. Até agora, posso dizer que me sinto confortado. Que venham as próximas temporadas!
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