quarta-feira, 9 de julho de 2008



Dando continuidade aos meus comentários de filmes, assisti ontem o recente Seed - Assassino em Série. O filme tem uma premissa curiosa, onde segundo as leis da Califórnia do fim dos anos 70, um preso que sobrevivesse a três tentativas de eletrocução na cadeira elétrica tem direito à liberdade. E ao mesmo tempo, conta a história de Seed, um assassino serial que teria sido o pior da história dos Estados Unidos (na descrição do filme, é dito que a história é aparentemente verdadeira, mas não dá maiores detalhes). Bem, é ele mesmo quem acaba sofrendo duas eletrocuções, e sobrevivendo. Mas isso não se dá por uma resistência sobre-humana dele, ou algum outro motivo extraordinário típico de Hollywood. Simplemente a cadeira era ruim demais. Na tentativa de garantir que o serial killer morresse, por pressão do pessoal da penitenciária (caso contrário, após a terceira ele seria considerado um homem livre), ele é declarado morto, mesmo ainda estando vivo, e enterrado naquele mesmo estado. Aí começam as incongruências: se eles queriam que Seed morresse, bastaria terem sufocado ele, ou dado um tiro nele, antes de enterrá-lo. Sabendo o perigo que ele representava, chega a ser ingênuo terem dispensado ele daquele jeito. É claro, Seed se recompõe, se livra da situação (enterrado vivo) e volta a matar indiscriminadamente, e a esmo, mas também buscando vingança. Outra coisa que não faz sentido é que, ao assistirmos o filme, ficamos esperando encontrar algum significado na matança que ele realiza, ou pelo menos o porquê dele, no início do filme, assistir a vídeos de crueldade contra animais, e deixar suas vítimas morrer abandonadas, sem comida ou água, e gravar tudo isso, inclusive a decomposição dos corpos, em fitas. Achei que iriam explicar até o final do filme, talvez querendo dizer que Seed se vinga da humanidade pelos maus-tratos contra os animais, ou ainda - fazendo um paralelo com um dos vídeos iniciais, que mostra a metamorfose de um inseto - que ele mataria para fazer uma "metamorfose" nas pessoas, mas nada. O filme ainda tenta passar uma idéia de que a fisionomia dele, que quando garoto foi o único sobrevivente de um incêndio no ônibus escolar em que estava, seria algo medonho. Faria sentido mostrar o rosto dele no final do filme, mas isso também não é feito. E ele sequer fala uma só palavra no filme inteiro, mas fica subentendido que ele fala. Ou seja, o filme é uma infeliz sucessão de situações que poderiam ser melhor exploradas, até para dar mais coesão ao filme, e conseqüentemente, um final melhor, mas isso não acontece. Acaba da mesma forma que se desenvolve, sem um clímax de verdade, sem solução. Apenas um monte de mortes, sangue e vermes. Decepcionante.