Hoje assisti ao “Jumper”, filme com o Hayden Christensen, sobre pessoas capazes de se teletransportar para diferentes lugares. O filme começa com a descoberta do poder, bem ao estilo “história de super-herói”, e vai evoluindo, tornando-se frenético em sua maior parte. Gostei do filme e da forma como ele abusa dessa habilidade do protagonista, mostrando-o em diferentes lugares ao redor do globo. A história também merece um certo destaque, mas poderiam ter usado o poder dele para torná-lo um altruísta, que ainda que sutilmente fizesse coisas pelos outros, que o poder dele poderia proporcionar. Ele se mostra um egoísta e aproveitador, sem objetivos, senão o de aproveitar ao máximo essa vantagem que tem.
No entanto, faltaram algumas coisas. O filme tenta jogar uma história de que a luta entre os jumpers e os paladinos existe desde a Idade Média, Roland fala que os jumpers se tornam maus depois de um tempo... mas nada disso encontra base no filme, não são apresentados elementos que nos façam entender os motivos de Roland e de sua equipe. Além do mais, qualquer vilão que se preza é movido por algum interesse, que geralmente é de ganância, poder, ou algo assim. Se não podemos nem entender os motivos dele, pois não fomos apresentados a eles, e não podemos vê-lo como “mocinho”, já que ele mata as pessoas próximas aos jumpers, então ele não se configura como um personagem crível. Também acabamos sem entender o que causa essa habilidade nas pessoas, eles poderia ter tentado explicar. Também não custaria nada mostrar o que aconteceu aos cinco anos de David, que fez a mãe saber que ele era um jumper, e que a levou a sair de casa. E por fim, ao não conhecermos o alcance do poder entre as pessoas, acabamos por questionar se os jumpers, unidos em uma espécie de organização, não seriam mais fortes.
Além disso, a participação da Millie é ridícula, chega a ser pior do que aquelas crianças que sempre estão paradas no meio do caminho quando está passando um carro em alta velocidade ou caindo uma viga ou algo assim. Ela incomoda porque o David quer levá-la a Roma, incomoda porque ele tem que mantê-la em segurança, incomoda porque nas horas mais impróprias quer explicações dele. E por fim, também não se configura como uma pessoa de bem, porque mesmo sabendo que David usa sua habilidade para roubar bancos, não tem uma cobrança moral por conta disso. É a típica “mulher de malandro”. Sem falar que a interpretação da atriz é fraquinha também...
Bom, o filme valeu a pena, mas é para se assistir sem querer fazer uma análise minuciosa dele, o que para mim é um pouco difícil.