Michael Jackson morreu. Dois dias depois do acontecido, ainda não me caiu a ficha. Impressionante como podemos nos espantar com nós mesmos: eu quase tinha esquecido que o cara foi um dos maiores ídolos que tive. Nunca quis ser o MJ, como muita gente acredita acontecer com os fãs de um cantor/ator/etc., mas admirava sua habilidade como cantor, compositor, dançarino, show-man, o engajamento... o cara sempre teve inúmeras qualidades que o fizeram único, desde o início de sua precoce carreira, ainda antes de eu nascer, até seus últimos trabalhos. Atualmente, e essa é a imagem que fica para a geração jovem de hoje em dia, ele andava cada vez mais apagado, e os últimos comentários da mídia sobre ele só faziam jogar a imagem e a credibilidade dele cada vez mais para baixo. Fez lembrar o fim da princesa Diana, quando a mídia só falava de seus namorados/amantes, deixando de lado aquela imagem dela que todos aprenderam a gostar. Michael sofreu do mesmo mal, a infinita exposição na mídia, que o depreciou e sugou tudo que podia de sua imagem. Muito do que ele se tornou, no fim, foi culpa dele mesmo, provavelmente de uma falta de equilíbrio emocional, de segurança em si mesmo, em seus amigos, nas pessoas que ele amou, seja família, amigos ou alguém especial. Acho que jamais entenderemos os motivos de suas plásticas e tratamentos que mudaram tanto a sua imagem. Difícil saber o que ele buscava com isso, pois sua imagem, de um negro esbelto e bonito, mudou drasticamente, chegando a lembrar uma mulher, em alguns momentos, ou um rosto de criança, até a derradeira imagem distorcida e grotesca que ele se tornou. Ainda era ele, mas apenas uma sombra tênue do que foi.
Mas o que fica realmente é o seu legado musical. Os números de vendas de seus álbuns estão longe de ser a sua maior façanha. Eu mesmo sempre o admirei pela qualidade de suas performances, sua voz inigualável e sempre altamente afinada, suas danças que, ainda numa época em que imperava nas pessoas o preconceito idiota contra os "diferentes", nunca passou a imagem de serem afeminadas ou exageradas - se passassem, certamente não seriam perdoadas pelos críticos. A música e a dança fluíam de seu corpo, e o sucesso foi o resultado natural disso. E ainda que seu destino tenha sido tão triste, podemos ver que o tempo pôde testá-lo bastante, por 45 anos de carreira, sem que conseguisse tirar dele a imagem de gênio naquilo que fez. Seus clipes, cheios de efeitos especiais - e que eram usados para bem ilustrar seus trabalhos, nunca para se sobreporem à qualidade de suas músicas -, seus shows grandiosos e fantásticos, tudo sempre foi máximo em sua vida. Por isso mesmo, ele se colocou acima de todos, como o maior artista de todos os tempos (ao menos, para os fãs como eu).
Infelizmente foi necessária a sua morte para que aquele véu que cobriu a sua imagem, criado por todas as acusações que sofreu, pudesse cair por terra para a maioria das pessoas. Sabidamente, ele será bem lembrado daqui para a frente. Ainda ouvimos algumas vozes, isoladas, que se dão ao direito de julgá-lo pelas acusações que sofreu, mas não cabe a nós, hoje, querer entender isso. Os acordos financeiros que ele fez para se livrar dos processos podem muito bem ter saído da idéia dele, de que talvez o término consensual pudesse favorecê-lo mais entre as pessoas, do que a exposição prolongada que o processo faria. Ainda pode ter sido uma fuga do processo, sabendo que iria perder, mas isso jamais ficará claro. Numa das poucas manifestações de sensatez que vi da Luciana Gimenez (bleargh), ela disse que pai nenhum poderia vender a justiça num caso assim, contra um filho seu, por alguns milhões de dólares. E sou levado a crer nisso também, ainda mais hoje, sendo pai de uma criança. Portanto, a menos que se prove o contrário (o que acho difícil que aconteça com o tempo), não podemos considerá-lo culpado por isso. Só Deus pode, se ele assim o merecer.
Que Deus abençoe o Michael, principalmente por tudo o que ele fez humanitariamente e pelas pessoas. A comoção de todos, especialmente dos que conviviam com ele, como outros artistas, mostram bem o que ele era para as pessoas. Que ao contrário do que se disse sobre a vida dele, ele não viva mais sozinho, mas junto de Deus e da companhia daqueles que o admiram, e também vivo na lembrança de todos nós, cujas vidas foram tocadas, em maior ou menor grau, por ele. Michael, "you are not alone" (você não está sozinho). (Tristeza)
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